Dias 77-83, 19-26 de janeiro

A prisão onde foi Nowak


Cidades como Kantara, Beni Suef ou Minja não são muito atraentes. Sua única atração é que estão associadas a Kazimierz Nowak.

Kantara não é uma cidade onde vamos porque queremos vê-la. Kazimierz Nowak também não foi lá porque ele tinha um desejo.
Do Cairo, a leste, viajava em 1932 para pegar a câmera fotografica Contax em Jerusalém. No entanto, Kantara foi  bem lembrada do seu caminho porque de repente ele interrompeu sua viagem aqui. A cidade fica no Canal de Suez. Não o atravessou e, ainda pior, o colocaram na prisão.
Este lugar sobreviveu até hoje. A sede da polícia com a prisão fica num dos edifícios mais antigos de Kantara. E certamente o polaco estava aqui.
– Ninguém nos prendeu, mas não faltaram os momentos dificeis – Piotr Tomza diz. O policia disse que a cidade – como 80 anos atrás, também agora – não é segura aos estrangeiros e não se pode dormir sem uma licença. A foi aqui a mais cara de todo Egito.

Pawel e Piotr passam em bicicletas a distância do Cairo quase com a velocidade da luz. Outro, Piotr e Magda, de comboio. Depois de retornar para a capital, ao contrário de Nowak, não tiveram que esperar muito para a encomenda postal, porque já havia chegado da Polonia o filtro para a lente.
No dia seguinte instalam outra placa comemorativa do seu patrono no edifício da embaixada da Polónia, maravilhosamente situada no meio do jardim. Ao redor da Esfinge e das pirâmides antigas tiram as mesmas fotografias que 78 anos atras tirou Nowak.
– São bonitas mas o barulho e o trânsito aqui são como no cruzamento, Piotr conta.
É o fim do percurso muito bem familiarizado com o árabe Teofil. A partir de agora substituí-lo pelo alemão Sebastian.
– Polícias enganharam-nos – dizem os ciclistas. Foi assim:
– Viajamos para o sul. Quando começou a escurecer, a polícia disse que deveríamos  voltar. Só cinco quilômetros do hotel. Lá seria possivel dormir em tenda gratuida. Finalmente pedalamos quinze quilômetros e isso significava que voltamos às portas do Cairo. Em adição, o carro da polícia andava atrás de nós, não necessariamente preservaram a distância ordenada, resultando em um acidente com um ciclista. Querendo, não querendo, voltamos ao Cairo para trocar o equipamento.
No dia seguinte, apesar da oposição explícita da polícia, levaram uma bicicleta para o museu de Mit Rahina. Isso deixou do poderoso Memphis: Esfinge (aqui tiram mesmas fotos como Nowak)  e algumas estátuas, incluindo Ramsés II.
A noite param nas províncias. Sob uma palmeira fazem fogueira e colocam tenda. Os rapazes da aldeia levam chá e folhas secas de palmeira para a fogueira. Piotr traz uma guitarra e os moradores estão a faze-lo da concorrência com hits de telemóveis.
Também a outra noite está bonita. Param no centro cristão em Beni Suef. Há ar fresco, casas agradável e grande alegria dos moradores porque Egito avança para as semifinais do Campeonato Africano de futebol.
– De lá para Minja viajamos 130 quilômetros – diz Piotr Tomza. – Infelizmente, mais uma vez com as problemas feitos pela polícia.
O carro da polícia levou à nossa frente não mais de 20 metros, o que significava que a única visão consistiu a traseira da picape, grande inscrição “Chevrolet” e dois caras em camisolas verdes com as armas.
Recolheram os carimbos no caminho  porque Beni e Suef são lugares que Kaziemierz Nowak visitou em sua rota nos anos 30 do ultimo seculo.

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